12.2.14

Pena Schmidt (Titãs, Mutantes, Raul etc) em reunião no Estúdio Drummond


Há cerca de duas semanas tivemos o prazer de receber no Estúdio Drummond o produtor musical Pena Schmidt. Pena (fonte: Wikipedia) é produtor musical, ex-executivo e diretor de gravadoras (esteve na Continental e Warner Music) e é o responsável direto pelo surgimento dos Titãs, Ira!, Ultraje a Rigor, Magazine e outros. Trabalhou também com Os Mutantes, O Som Nosso de Cada Dia, Almir Sater, Raul Seixas e Marcelo Nova. Esteve envolvido com o tropicalismo em 1960 e participou da coordenação de festivais como Hollywood Rock, Rock in Rio e Free Jazz Festival. Foi proprietário do selo independente Tinitus e é ex-presidente da Associação das Gravadoras Independentes. Atualmente é consultor do Auditório Ibirapuera, em São Paulo, local que se destaca pela apresentação de artistas de qualidade, especialmente os que estão fora da grande mídia. Produziu mais de 50 discos com hits que, até hoje, são tocados no rádio.


 O encontro foi uma iniciativa de Gilmar Dantas, que o trouxe à Vitória da Conquista para participar do evento "Conversas Infinitas", no Centro de Cultura Camilo de Jesus Lima, que tivemos a alegria de mediar no mesmo dia. O Estúdio Drummond foi apenas o local para um bate-papo informal sobre bandas independentes, mercado musical na atualidade e sustentabilidade no mesmo, dentre outros temas. Foram convidados outros proprietários de estúdios de gravação e ensaio que trabalham com artistas e bandas locais. Além de Gilmar Dantas (Fora do Eixo) e Daniel Drummond (Estúdio Drummond) estiveram presentes Robson Falcão (RFalcon Estúdio e Produção) e Michael Ribeiro (banda Nobres Companions). O ótimo papo rolou das 9 da manhã até o meio-dia.



 Alguns dos pontos que foram apontados e discutidos:
  • as mudanças no negócio da música (gravações, artistas, divulgação, formatos) nos últimos 15 anos, com o advento da internet e a maior facilidade de acesso à gravação e a divulgação;
  • a importância cada vez maior do show ao vivo na manutenção financeira do artista, especialmente dos que não tem renda pela venda de CDs;
  • a importância de existirem estabelecimentos que contratem artistas na cidade;
  • a necessidade de incentivos públicos: prefeitura dando vantagem em impostos (ou de outro tipo) para estabelecimentos que contratam músicos ou atividades ligadas a música; o estado abrindo editais que permitam não a gravação de CDs, mas o meio do processo, ou seja, a instalação de estabelecimentos, a compra de equipamentos para casas de show e bares, a criação de auditórios etc;
  • o exemplo de Austin, Texas, EUA, que se tornou capital mundial da música por meio de uma ação de um prefeito, que ofereceu benefícios em impostos e atraiu todo tipo de serviço relacionado com a música conseguindo realmente realizar na prática o que era apenas uma determinação legal;
  • a organização dos músicos da cidade e região em um selo para facilitar contratos, lançamentos, distribuição, recolhimento de direitos autorais, negociações, suporte jurídico etc;
  • a divulgação no youtube como forma de arrecadação de dinheiro;
  • a melhoria da qualidade artística e da produção das bandas por meio de filtros como bares onde só toca quem está bem ensaiado e que se diferencia e níveis diferenciados de festivais, de modo que as bandas se sintam mais motivadas a dar o melhor de si para poderem ganhar mais e aumentar seu público;
  • o fim das gravadoras (existem apenas 30-40 artistas com contratos com gravadoras no país atualmente);
  • o fim do CD como mídia de música (existem apenas 300 lojas físicas que revendem CDs atualmente no país todo);
  • o retorno do vinil, que voltou a ser fabricado e é vendido por R$60,00 ou mais mesmo para quem não tem como ouví-lo, até mesmo pela beleza da capa, nostalgia ou fetiche de tê-lo;
  • estabelecimentos que têm atraído público e apresentado shows com propostas inovadoras, reunindo pessoas em formatos não tradicionais, como um bar onde as pessoas assistem um show que está sendo gravado ao vivo atrás de um vidro, dentro de um estúdio, ou outro bar onde pessoas se reúnem para discutir sobre temas com os quais têm afinidade e terminam a noite assistindo juntas a um show etc;
  • o fim do formato 'álbum com 10-12 faixas' em prol do lançamento contínuo de singles;
  • o fim da divisão 'banda com contrato com gravadora' e 'banda independente', já que praticamente todos hoje são independentes;
  • etc...

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2 comentários:

  1. Conversa de alto nivel. VdC é cidade pronta para fazer da música uma atração do turismo e da cultura. Sucesso!

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